APRESENTAÇÃO:

O Círculo AfroDigitalidades nasce como espaço de encontro entre tecnologia, ancestralidade e criação. Aqui, a informática não é neutra: ela é apropriada como ferramenta de resistência, afirmação identitária e valorização das narrativas negras.

Este círculo é dedicado a crianças, adolescentes e adultos negros(as), provocando um encontro intergeracional em que saberes, memórias e experiências se entrelaçam. Cada geração traz sua força: os mais velhos compartilham vivências e ancestralidade; os mais jovens trazem invenção, curiosidade e novas linguagens digitais.

O AfroDigitalidades dialoga com iniciativas já existentes, como o Programa AfroDigital e o Eixo Afro-Digital, que promovem inclusão tecnológica em comunidades negras e tradicionais. No entanto, vai além: propõe metodologias que afirmam a importância da tecnologia como linguagem de poder e como espaço de produção autoral, leitura crítica e valorização das subjetividades negras.

Aqui, a palavra - escrita, falada, cantada - é o centro: expressão de mundos, leitura crítica da realidade, narrativa que resiste e pensamento que projeta futuros. A informática, nesse contexto, é linguagem de emancipação e território de afirmação identitária.

O AfroDigitalidades é mais que um círculo de aprendizagem: é um espaço de reexistência e de encontro de gerações, onde tecnologia e literatura se unem para cultivar memória, fortalecer identidade e expandir horizontes. Esse formato intergeracional reforça a ideia de que o círculo não é apenas um espaço de ensino, mas de troca de saberes - onde cada geração aprende e ensina ao mesmo tempo.

Inspirado na perspectiva metodológica de Nego Bispo, o projeto entende a tecnologia como parte da confluência de saberes: encontro entre conhecimentos orgânicos (ancestralidade, memória, práticas comunitárias) e conhecimentos sistematizados (ciência, técnica, informática). Assim, a tecnologia é apropriada como linguagem, fortalecendo identidades e projetando futuros possíveis.


OBJETIVO:

Fortalecer o direito à cidade e aos direitos humanos por meio da inclusão digital afrocentrada, garantindo que juventudes negras tenham acesso a tecnologias e metodologias críticas, promovendo protagonismo comunitário.

JUSTIFICATIVA:

O AfroDigitalidades surge da urgência de enfrentar a exclusão digital que atinge comunidades negras e periféricas. No caso de Palmares, em Simões Filho/BA, a situação é ainda mais emblemática: embora não seja reconhecida oficialmente como quilombo, a comunidade acende cotidianamente o aquilombamento urbano em suas dinâmicas populares, culturais e educativas.

Esse aquilombamento se manifesta nas práticas de resistência, memória e solidariedade que estruturam a vida comunitária, mas que convivem com a falta de acesso a direitos básicos, como educação de qualidade, infraestrutura e inclusão tecnológica. A ausência de laboratórios digitais nas escolas locais não é apenas uma carência técnica, mas uma violação do direito à educação.

O AfroDigitalidades propõe uma resposta política e cultural: criar um espaço comunitário que articule tecnologia e ancestralidade, fortalecendo identidades e ampliando horizontes. Na perspectiva metodológica de Nego Bispo, a tecnologia é apropriada como linguagem de poder e resistência, integrando saberes orgânicos e sistematizados.

ATIVIDADES:

·         Rodas de leitura e escrita com autoras/es negras/os.

·         Formação com monitoria especializada em metodologias afrocentradas.

·         Mobilizações públicas e campanhas de valorização da cultura digital negra.

·         Encontro infanto-juvenil, direito à cidade e inclusão tecnológica.

· Campanha de sensibilização junto às empresas para recuperação e disponibilização de equipamentos. 

PÚBLICO BENEFICIÁRIO: 

·         Crianças e adolescentes da Comunidade de Palmares, Simões Filho. 

RESULTADOS ESPERADOS:

·         Inclusão digital afrocentrada.

·         Produção de acervos digitais que valorizem narrativas negras.

·         Fortalecimento da identidade e memória coletiva.

·         Ampliação do direito à cidade por meio da tecnologia e da cultura.

·         Sensibilização de empresas locais para apoiar a inclusão digital comunitária.

Imagem do espaço da   Bibliteca Comunitária 



Imagem Circulo de Aprendizagem 

Imagem Circulo de Aprendizagem 



Imagem Circulo de Aprendizagem 



magem Circulo de Aprendizage



magem Circulo de Aprendizage







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