Projeto "Guardiãs e Guardiões da Memória" lança edital de premiação para mestres e mestras da cultura quilombola em Simões Filho (BA)

A iniciativa reconhece a Biblioteca Comunitária Biblio Eco-Arte e o território quilombola como espaços vivos de saberes ancestrais, oralidade e resistência.

SIMÕES FILHO (BA) —Hoje, dia 10 de setembro, publicamos oficialmente o edital de premiação do projeto."Guardiãs e Guardiões da Memória: Biblioteca Comunitária como Território de Saberes Ancestrais". O texto completo do edital está disponível logo abaixo da matéria. 

Este Projeto é contemplado pelo Edital nº 11/2025 de Dinamização de Bibliotecas e Espaços de Memória (com recursos da Política Nacional Aldir Blanc - PNAB), essa proposta tem como objetivo valorizar publicamente os mestres e mestras que salvaguardam as histórias e tradições dos territórios tradicionais da região. 

A iniciativa é realizada pela Biblio Eco-Arte — biblioteca de base comunitária — em parceria com a Escola Municipal Professora Antônia Gonçalves, e integra a Comunidade de Palmares em articulação direta com as comunidades do Danda, Pitanga de Palmares e Rio dos Macacos. 

Sobre o Edital de Premiação

A partir de 10 de setembro, as comunidades participantes poderão indicar seus mestres e mestras da cultura tradicional. Serão concedidos 06 prêmios individuais (dois para cada comunidade quilombola do município), como forma de reconhecimento financeiro e simbólico pelo papel fundamental que essas lideranças desempenham na preservação do patrimônio cultural imaterial. 

"A memória dos nossos povos é transmitida pela palavra falada, pelos cantos e pelas vivências do território. Este edital não é apenas um reconhecimento financeiro, mas uma ação de reparação e afirmação epistemológica: reconhecemos nossos anciãos como os verdadeiros intelectuais e Guardiões da nossa história", destaca Iolanda Oliveira, coordenadora geral do projeto e agente cultural da Biblio Eco-Arte. 

Encontro Cultural e Ações do Projeto

O ponto alto do projeto será a realização de um Encontro Cultural Coletivo, que reunirá no mês de novembro moradores, estudantes e educadores em uma programação gratuita contendo: 

• Roda de Memória Oral: partilha de histórias de vida, cantigas e experiências de resistência vividas pelos Guardiões; 

• Cerimônia de Premiação: entrega pública dos certificados e homenagens aos 06 selecionados; 

• Exposição Viva da Memória: acervo temporário reunindo fotografias, documentos e objetos do território;

• Registro e Acervo: documentação em vídeo e áudio das narrativas orais para compor o acervo permanente da biblioteca comunitária e ser compartilhado com as escolas públicas. 

Com foco na educação antirracista e no fortalecimento do diálogo intergeracional, o projeto reafirma a biblioteca comunitária não apenas como um espaço de livros impressos, mas como um território de escuta, acolhimento e preservação dos saberes ancestrais. 

 

INFORMAÇÕES DE SERVIÇO

●     Projeto: Guardiãs e Guardiões da Memória: Biblioteca Comunitária como Território de Saberes Ancestrais.

●     Lançamento do Edital de Premiação: 10 de setembro de 2026.

●     Quem pode ser indicado: Mestres, mestras e guardiões da memória das comunidades quilombolas de Palmares, Danda, Pitanga de Palmares e Rio dos Macacos (Simões Filho/BA).

●     Local do Encontro Cultural: Escola Municipal Professora Antônia Gonçalves (Comunidade de Palmares, Simões Filho - BA).

●     Valor das Inscrições / Evento: Gratuito e aberto à comunidade.

●     Realização: Biblio Eco-Arte e Equipe Técnica Comunitária.

●     Fomento: Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. (Edital nº 11/2025 - PNAB). 


EDITAL DE PREMIAÇÃO COMUNITÁRIA Nº 01/2026

PROJETO GUARDIÃS E GUARDIÕES DA MEMÓRIA: BIBLIOTECA COMUNITÁRIA COMO TERRITÓRIO DE SABERES ANCESTRAIS

 

O projeto Guardiãs e Guardiões da Memória: Biblioteca Comunitária como Território de Saberes Ancestrais, executado por meio do Edital nº 11/2025 de Dinamização de Bibliotecas e Espaços de Memória, financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), via Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) / Fundação Pedro Calmon (FPC) e Ministério da Cultura (MinC), torna público o presente Edital de Premiação para o reconhecimento de Mestres e Mestras da Cultura Quilombola do município de Simões Filho/BA.

  

1.  DO OBJETIVO E DA CATEGORIA CENTRAL

1.1.  Este edital tem como objetivo central identificar, reconhecer e premiar publicamente 06 (seis) Guardiãs e Guardiões da Memória (Mestres e Mestras Vivos) que atuam na preservação das histórias, saberes ancestrais, tradições orais e resistência cultural no território.

 

1.2.  Entende-se por Guardião(ã) da Memória a pessoa física, de notório saber comunitário, reconhecida por seus pares como detentora e transmissora da identidade e da herança cultural quilombola local.

 

2.  DAS COMUNIDADES PARTICIPANTES E VAGAS

 2.1.  A premiação contemplará, obrigatoriamente, os 03 (três) territórios quilombolas parceiros do projeto no município de Simões Filho, com a seguinte distribuição de vagas:

 

Território / Comunidade Quilombola

Quantidade de Prêmios

Comunidade Quilombola do Rio dos Macacos

02 (dois) prêmios

Comunidade Quilombola do Danda

02 (dois) prêmios

Comunidade Quilombola Pitanga de Palmares

02 (dois) prêmios

 

3.  DOS CRITÉRIOS DE INDICAÇÃO E ELEGIBILIDADE


Para receber a titulação e o prêmio, o(a) candidato(a) indicado(a) deverá cumprir os seguintes requisitos:

●  Ser morador(a) residente no território da comunidade quilombola indicada;

●    Possuir reconhecida atuação na transmissão oral de saberes (artesãos, rezadeiras, griôs, parteiras, agricultores tradicionais, líderes religiosos ou contadores de histórias);

●    Não pertencer à equipe de coordenação direta ou à Comissão de Acompanhamento deste projeto.

 

4.  DAS ETAPAS E DO CALENDÁRIO LOCAL

 A escolha dos premiados será realizada de forma participativa, dividida em três fases consecutivas:

Fase 1: Indicação Comunitária

●        Período: 10/09/2026 a 20/09/2026

●        Cada comunidade elaborará, em reuniões abertas nas associações ou escolas locais, uma lista de nomes indicados pelos próprios moradores.

Fase 2: Homologação e Respaldo Comunitário

As assembleias serão presenciais, abertas a todos os moradores do território, e ocorrerão no período indicado abaixo de 21/09/2026 a 10/10/2026 nas datas e locais indicadas pelas seguintes comunidades:

●        Quilombo do Danda

●        Quilombo Pitanga de Palmares

●        Quilombo Rio dos Macacos

Fase 3: Premiação

●        Cerimônia de Entrega: Novembro de 2026, durante o Encontro Cultural Coletivo do projeto, na Escola Municipal Professora Antônia Gonçalves.

 

5.  DA COMISSÃO DE ACOMPANHAMENTO E FISCALIZAÇÃO

 5.1.  Todo o processo será acompanhado por uma Comissão, composta por:

●        02 (dois) membros representantes do Projeto vinculados à Biblioteca Comunitária Biblio Eco-Arte;

●        01 (um) representante de cada associação quilombola participante (Rio dos Macacos, Danda e Pitanga de Palmares).

5.2.  Compete à Comissão registrar as atas de presença das assembleias e validar o resultado final, garantindo a transparência e a lisura do processo.


6.  DA PREMIAÇÃO FINANCEIRA

6.1.  Cada um dos 06 (seis) Guardiões ou Guardiãs da Memória eleitos receberá um prêmio individual em dinheiro no valor líquido de R$ 1.000,00 (um mil reais).

6.2.  O pagamento será efetuado em parcela única, por meio de transferência bancária identificada, após a assinatura do Recibo de Premiação Cultural.

 

7.  DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL

 

Este Edital fundamenta-se:

-Nos arts. 215 e 216 da Constituição Federal, que asseguram o pleno exercício dos direitos culturais e a proteção das manifestações das comunidades quilombolas e tradicionais;

-Na Lei Federal nº 14.399/2022 (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura - PNAB) e regulamentações pertinentes, bem como no Edital nº 11/2025 da Secult-BA / Fundação Pedro Calmon;

-Na legislação estadual da Bahia referente à valorização e reconhecimento dos Mestres da Cultura Popular e Tradicional, aplicável subsidiariamente ao âmbito municipal.

 

Simões Filho - BA, 10 de setembro de 2026.

Iolanda Carvalho de Oliveira

Coordenação Geral do Projeto

 

 

CRÉDITOS E FICHA TÉCNICA INSTITUCIONAL

  • Realização: Biblioteca Comunitária Biblio Eco-Arte e Equipe Técnica Comunitária
  • Parceria Local: Escola Municipal Professora Antônia Gonçalves
  • Citação Oficial de Fomento: Este projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado.
  • Fomento / Financiamento: Edital nº 11/2025 - Dinamização de Bibliotecas Comunitárias e Espaços de Memória
  • Apoio Financeiro: Governo do Estado da Bahia / Secretaria de Cultura (Secult-BA) / Fundação Pedro Calmon (FPC)
  • Instrumento de Fomento: Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) / Ministério da Cultura / Governo Federal 


RESUMO DO PROJETO



O projeto Guardiãs e Guardiões da Memória nasce do reconhecimento de que os saberes quilombolas são pilares de uma epistemologia viva, orgânica e ancestral. Ser guardião de saberes não é apenas lembrar o passado — é proteger, recriar e transmitir conhecimentos que sustentam a vida comunitária, a espiritualidade e a resistência dos povos tradicionais.

No caso dos quilombos de Simões Filho, premiar e dar visibilidade a esses guardiões é um ato de justiça epistêmica e de fortalecimento da identidade coletiva, considerando que as bibliotecas comunitárias são também territórios de saberes ancestrais. Nelas, cada livro, cada canto, cada reza e cada gesto guardam a força de quem aprendeu com o tempo e com a ancestralidade, mantendo acesa a chama da resistência e da sabedoria ancestral, que resistem às lógicas coloniais e mantêm viva a herança dos antepassados.

Assim, premiar essas guardiãs e guardiões é afirmar que a memória é um território de saberes, onde o corpo, a terra e a fé se entrelaçam para formar uma pedagogia própria — uma epistemologia quilombola, que nos ensina que saber é também resistir. É construir caminhos, preservar o que foi herdado e reinventar o que foi negado. É uma forma de pensar e ensinar que desafia o esquecimento e celebra a continuidade dos povos e comunidades tradicionais. No que tange a essas comunidades dar visibilidade aos guardiões de memória é reconhecer que: a) Eles são arquivos vivos da história quilombola b) Sua atuação garante a continuidade de saberes orgânicos — nascidos da terra, do corpo e da coletividade c) A epistemologia quilombola que praticam é uma forma de resistência contra o colonialismo e de afirmação da dignidade dos povos tradicionais.


Nessa perspectiva convocamos as comunidades quilombolas de Simoes Filho a se integrar no Projeto mediante critérios de indicação e elegibilidade premiar dois guardiões é reconhecer que sua atuação é essencial para a dinâmica política, cultural e social do quilombo. Eles são os pilares que sustentam a memória orgânica e epistemologia quilombola, garantindo que os saberes ancestrais continuem vivos e atuantes.


PRINCÍPIOS EPISTEMOLÓGICOS DA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA COMO TERRITÓRIO DE SABERES ANCESTRAIS

 A Biblioteca Comunitária como Território de Saberes Ancestrais constitui-se como um espaço epistemológico no qual sujeitos comunitários produzem, guardam, transmitem, compartilham e atualizam conhecimentos vinculados à memória, ao território e às experiências coletivas.

Assim, essa proposta parte do reconhecimento de que o conhecimento não se encontra exclusivamente nos livros, nas instituições formais ou nos espaços acadêmicos. Ele também é produzido na experiência vivida, nas relações comunitárias, na memória coletiva, nas práticas culturais e nas narrativas daqueles e daquelas que guardam os saberes do território.

Nesse sentido, a biblioteca comunitária é compreendida como território epistemológico, isto é, como espaço de encontro, escuta, produção, circulação, registro e continuidade dos saberes ancestrais e a premiação dos Guardiões e Guardiãs da Memória representa uma tomada de posição do projeto diante das formas historicamente hegemônicas de produção do conhecimento: reconhecer que os sujeitos quilombolas são produtores de conhecimento e que seus modos próprios de saber, lembrar, narrar e transmitir possuem legitimidade epistemológica. Deste modo,  reconhecemos  a comunidade quilombola como território produtor de conhecimento, os Guardiões e Guardiãs como sujeitos epistemológicos, a memória como conhecimento vivo, a oralidade como modo de produção, transmissão e validação dos saberes e a biblioteca comunitária como espaço de circulação, registro, preservação e continuidade dessas epistemologias.

 

Categoria epistemológica

Princípio epistemológico

Prática/ação do projeto

Sentido produzido

1. Guardiãs e Guardiões da Memória como sujeitos epistemológicos

O conhecimento é também produzido, preservado e transmitido por sujeitos que vivenciam o território e carregam experiências, histórias e saberes ancestrais. Os Guardiões e Guardiãs não são meros "informantes", mas produtores e detentores legítimos de ideias e saberes ancestrais.

Identificação comunitária dos Guardiões e Guardiãs; participação nas rodas de memória; compartilhamento de narrativas de vida, acontecimentos históricos, práticas culturais e experiências de resistência.

Experiência vivida → produção de conhecimento → reconhecimento do sujeito

 

 

 

 

2. Reconhecimento e premiação dos Guardiões e Guardiãs

O ato de premiar constitui um ato de reconhecimento epistemológico: ao homenagear aqueles e aquelas que preservam e transmitem saberes ancestrais, a comunidade afirma a legitimidade, o valor cultural e a autoridade desses sujeitos na produção e transmissão do conhecimento.

Cerimônia pública de premiação dos mestres e mestras indicados pelas próprias comunidades quilombolas.

Reconhecimento → legitimidade → valorização →

 

3. Saberes quilombolas como conhecimentos multidimensionais

Os saberes quilombolas não se apresentam de forma fragmentada. Articulam território, memória, cultura, identidade, práticas sociais, resistência, ancestralidade e modos de vida.

Compartilhamento de histórias, práticas culturais, acontecimentos históricos, experiências de resistência e conhecimentos vinculados ao território.

Saber → território → cultura → identidade → resistência → vida comunitária

4. Memória traduzida na oralidade

A oralidade constitui um modo próprio de produção, transmissão e validação do conhecimento. Não é apenas uma fonte anterior à escrita, mas uma forma legítima de conhecer, ensinar, lembrar, interpretar e expor experiências.

Roda de memória oral, narrativas de vida, escuta coletiva e compartilhamento das experiências dos Guardiões e Guardiãs.

Oralidade → escuta → narrativa → transmissão → validação

5. Território como lugar de produção do conhecimento

O território não é compreendido apenas como espaço físico, mas como lugar de experiências, relações, pertencimentos, histórias, conflitos, práticas culturais e produção de sentidos.

Articulação entre a Comunidade Quilombola de Palmares e as comunidades quilombolas do Dandá, Pitanga de Palmares e Rio dos Macacos.

Território vivido → experiência coletiva → produção de conhecimento

6. Biblioteca comunitária como território epistemológico

A biblioteca deixa de ser compreendida somente como lugar de livros e passa a constituir-se como lugar de encontro, escuta, memória, leitura, produção e circulação de conhecimentos.

Dinamização da Biblioteca Comunitária Biblio Eco-Arte como espaço articulador das memórias, narrativas e saberes comunitários.

Biblioteca → encontro → escuta → memória → produção de conhecimento

7. Registro como continuidade da memória

O registro não substitui a oralidade. Ele amplia suas possibilidades de circulação, preservação e acesso, permitindo que os conhecimentos produzidos no território possam alcançar outras gerações.

Registro das narrativas em áudio, vídeo e/ou texto e organização do material no acervo da biblioteca comunitária.

Memória oral → registro → acervo → preservação → continuidade

8. Intergeracionalidade como princípio de transmissão

O conhecimento ancestral permanece vivo quando circula entre gerações, estabelecendo uma relação de continuidade entre passado, presente e futuro.

Participação de crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, estudantes, educadores e Guardiões e Guardiãs da Memória.

Ancestralidade → transmissão → apropriação → continuidade

9. Comunidade como instância de reconhecimento e validação

A legitimidade do saber também é construída coletivamente. A própria comunidade participa do reconhecimento daqueles e daquelas que guardam, preservam e representam determinados conhecimentos e memórias.

Indicação comunitária dos mestres e mestras que receberão o reconhecimento e a premiação.

Comunidade → reconhecimento → legitimidade → memória coletiva

 







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