Neste texto queremos destacar as muitas maneiras pelas quais bibliotecas e artistas podem apoiar uns aos outros em suas diferentes áreas, já que acreditamos que em Palmares a criatividade é inerente a todos, por isso acreditamos que nesta comunidade temos não apenas adultos mais crianças e  adolescentes  “artistas” que usa  ferramentas criativas para fazer coisas novas. Achamos que a criatividade, assim como a informação  deve ser acessível a todos em uma comunidade e que a biblioteca como um espaço comunitário se torna perfeito para fazer cultivar a arte comunitária.

As bibliotecas não apenas devem abrir suas portas para os artistas usarem o espaço mas também divulgar e visibilizar o que produzem, fornecendo uma plataforma de publicidade gratuita  que permita as crianças descobrir uma impressionante coleção de trabalhos escritos e de  artes  locais,  podendo a biblioteca dar voz a uma comunidade artística que estão fora do circuito de galeria / museu. Com seu lugar no centro da comunidade e o acesso democrático e gratuito que as pessoas têm às bibliotecas comunitárias  são um lugar necessário para expor arte, além de ajudar os artistas a criá-la e distribuí-la.


Deste modo, desenvolver ações no campo artístico no âmbito da biblioteca é uma oportunidade de se conectar com todos na comunidade, incluindo crianças e adolescentes que talvez nunca tenha visto uma exposição  de arte como a criança da imagem que pode tocar,  observar e  acessar  elementos da pintura abrindo-se um mundo visual a sua volta num contexto de  territórios tradicionais  onde os instrumentos e aparatos tecnológicos são escassos.

Nesta sessão falaremos sobre a Rede Educativa e Cultural em Territórios Tradicionais contextualizando resumidamente seu histórico, sua capacidade técnica e suas experiências, bem como a sua missão de implementar e difundir práticas  formação em contextos laborais,  vivenciais e colaborativos, juntos a comunidade com foco na formação humana. 


 A atuação da Rede   na Comunidade de Palmares, localizada em Simões Filho,  ocorre no ano de 2017, com a construção e  no seu termino  a  inauguração  do espaço  onde foi implantada a Rede  e dentro deste  espaço   a Biblio Eco-Arte, que foi implantada  numa perspectiva de base comunitária.    
A comunidade de Palmares faz parte de Simões Filho, que está inserido na Região Metropolitana de Salvador (RMS), desde a Lei Federal de 1973. Foi elevado à categoria de município, sendo desmembrado de Salvador, pela Lei Estadual de 07.11.1961, sendo o antigo distrito de Água Comprida elevado à categoria de sede municipal. O acesso a partir de Salvador é efetuado pelas rodovias pavimentadas BR-324, BR-116 e BR349 num percurso total de 255 km. 
Em Simões Filho, os espaços industriais surgiram com a criação do Centro Industrial de Aratu (CIA). No município de Simões Filho, o CIA é representado pela indústria de transformação. Esta tem gêneros dos mais diversos como, por exemplo, metalúrgico, mecânico, transformação de produtos minerais não metálicos, material elétrico e de comunicações, química, têxtil, produtos alimentares, material de transporte e, extração de minerais (SEI/CONDER, 1994). Com relação a esta última, os principais produtos são argila, areia, pedra para construção e petróleo.    Segundo dados do IBGE o uso e ocupação do solo na zona rural do município de Simões Filho é bastante heterogêneo repercutindo positivamente na economia municipal (crescimento econômico e diversificação das atividades), ao mesmo tempo em que, contraditoriamente, negativamente nas condições socioambientais.

 Deste modo, a  Rede surge orientada por  uma filosofia de trabalho que não estende-se a todo o  Município de Simões Filho, sendo executado prioritariamente na Comunidade de Palmares na  Rodovia Ba - 093 00KM 11,5, cujo  entorno  é formado por  “territórios quilombolasque  ocupam áreas muito ricas em biodiversidade, patrimônio genético, ambiental e cultural. De cordo com os dados da Fundação Cultural Palmares  existem três comunidades certificadas no Município de Simões Filho como comunidades quilombolas: Pitanga de Palmares(2004), Dandá(2004) e Rio dos Macacos(2011).    

A Rede nos últimos anos vem estreitando os laços com a comunidade de Pitanga dos Palmares, que conta com aproxiamadamente  289 famílias quilombolas numa área de 854,2 hectares de terra. Apesar do reconhecimento de posse da terra  do quilombo Pitanga dos Palmares localizada às margens da BA-093, enfrentam a ausência de serviços básicos como esgotamento sanitário, água encanada e tratada, sistema de telefonia, área de lazer, educação.  A  comunidade remanescente de quilombo luta para preservar tradições e costumes passados de geração em geração.  Deste modo, consideramos importante ampliar o trabalho da Biblio Eco-Arte para crianças e adolescentes dessas comunidades á partir de ações que interliga a arte e a  cultura local. 


 

Durante o  período da Pandemia  foram suspensas os  círculos de aprendizagem   que ocorriam de forma continua. No ano de 2019 o Professor Jorge Nascimento iniciou um trabalho educativo com  aulas de desenho  e posteriormente  pudemos intensificar  os ciclos de pintura  entregando as crianças e adolescentes Kits  com cadernos e lapis para pintura.

Considerando o fechamento  das escolas percebemos que a dinâmica da biblioteca  poderia acontecer  através da distribuição de  um conjunto de  material que denominamos Kit de leitura e  arte  contendo livros de histórias, mas também lápis de cor, papel e caderno de pintura para que os usuários  da biblioteca  pudessem    desenvolver    as atividades antes oferecidas nos círculos de  aprendizagens. 

Os resultados desta ação tiveram várias implicações para o desenvolvimento contínuo da biblioteca, incluindo o impacto da biblioteca no aprendizado; diferenças nos hábitos de leitura de meninos e meninas bem como o aceso a coleção de materiais de leitura fundamentais em termos do desenvolvimento de uma cultura de leitura.   A metodologia de repassar os livros e cartilhas virtuais  funcionou apenas com algumas  crianças  devido a ausência de acesso a alguns recursos tecnológicos a exemplo do  celular que para maioria das famílias são de uso coletivo, ou seja, a criança tem acesso para jogar por algum tempo apenas. 


 

No espaço  da Rede funciona também  uma brinquedoteca e achamos por bem doar os brinquedos  para  que  as crianças pudessem preencher seu tempo  no seu núcleo familiar. Através d edoações foi possivel ampliar a distribuição dos brinquedos e também de roupas e alimentos num período de escassez para a maioria das famílias.

 

Antes da Pandemia  é importante observar que numa das salas  funcionou por alguns meses a Banca de estudos   com  reforço as atividades pedagógicas das escolas locais coordenada pela educadora Lidiane morada da  comunidade de Palmares. O espaço foi cedido gratuitamente para que a professora pudesse desenvolver banca de estudos, onde demos suporte na  doação de livros e alguns materiais necessários a formação. Num período com da Pandemia não foi mas possivel disponibilizar o espaço  já que precisamos restruturar o espaço para garantir um retorno as atividades de  formas mas segura. 

Atualmente a biblioteca conta com uma coleção diversificada de mais de 600 livros, composta por  uma pequena coleção de livros infanto-juvenis disponíveis para crianças e adolescentes.

Comentários

  1. É com muito orgulho Iola que tenho você mulher guerreira c/ referência de luta e prática nas ações que você acredita.
    Nesta caminhada você me apresentou Telma. Ações Odara das Biblioteca s/ palavras.
    Para construção de outro mundo a prioridade são as crianças/ jovens
    Força Ancestral
    Para este projeto
    Axé
    Prof. Edenice Santana

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  2. Lindo depoimento Profª Edenice Santana! Iolanda sempre foi uma guerreira; mulher de luta mesmo.



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